sábado, 15 de março de 2008
Nuvens Churrosas
Assim falou Zaratustra
“A vida é dura de suportar; mas, por favor, não vos façais de tão delicados! Não passamos, todos juntos, de umas lindas bestas de carga.
Que temos em comum com o botão de rosa, que estremece ao sentir sobre o corpo uma gota de orvalho?
É verdade: amamos a vida, porque estamos acostumados não à vida, mas a amar.
Ha sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre, também, alguma razão na loucura.
E também a mim, que sou bondoso com a vida, parece-me que as borboletas e as bolhas de sabão e o que mais do gênero ha entre os homens, são as que melhor conhecem a felicidade. Ver voejar essas alminhas loucas, leves e graciosas – induz Zaratustra a chorar e a cantar.
Eu acreditaria somente num Deus que soubesse dançar.
E, quando vi o meu Diabo, achei-o sério, metódico, profundo, solene: era o espírito da gravidade – a causa pela qual todas as coisas caem.
Não é com a ira que se mata, mas com o riso. Eia, pois, vamos matar o espírito da gravidade! Aprendi a caminhar; desde então, gosto de correr. Aprendi a voar; desde então, não preciso que me empurrem, para sair do lugar.
Agora estou leve; agora vôo; agora, vejo-me debaixo de mim mesmo; agora um Deus dança dentro de mim.
Assim falou Zaratustra.”
(Nietzsche)
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Um comentário:
Tão bonito e tão bonita que até deu vontade de ler " Assim falou Zaratustra".
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